Quem Sou

Meu nome é Viviane Reis e nasci artista como todo ser humano, mas aos poucos fui me destreinando, como a maioria. Na infância, amava desenhar. Se deixasse, passaria horas  vendo as aulas do Daniel Azulay e a turma do Lambe-Lambe. Tentava reproduzir as artes da “Mãos Mágicas” e seguia sonhando com caixas de lápis de cor da Faber Castell de 72 cores ou com a maleta de canetinhas da Compactor.

A idade adulta chegou e não segui o caminho das artes, embora sempre flertasse com ele. Decidi seguir o caminho da Comunicação e da Moda. E após trabalhar por mais de uma década no varejo de moda e no desenvolvimento de produtos, resolvi voltar ao que os olhos, o coração e o instinto sempre pediram: as artes.  Esse reencontro não foi fácil: ser autodidata tem sido um caminho árduo, mas libertador.

Decidi criar o meu estúdio para dar voz à tudo isso: a Caligráfica. Sigo na jornada, desfocando o olhar do real e criando mundos abstratos, imaginários. Colecionando padrões afetivos e transformando em estampas e em mix de cores. Quando o sentir transborda, recorro à palavra e ao calor da letra manuscrita. Todas as artes são minuciosamente feitas à mão, em plataformas digitais, como o iPad e o Surface Pro.

Me inspiro olhando com filtro emotivo para qualquer cena do cotidiano. A forma geométrica que a luz do sol se projeta numa parede, o movimento da causa de um cachorro, o envelhecido de um azulejo antigo, os modos de uma pessoa sentada sozinha. Tudo isso é material pra enxergar a beleza que tento traduzir numa ilustração.

“Sem emoção não há inspiração para a beleza.”
– Diana Vreeland

Sempre amei desfocar o olho e enxergar borrões, criar mentalmente outras formas e traços para objetos do dia a dia. Sempre foi uma forma de encontrar o novo no mesmo, criar objetos imaginários de um mundo abstrato, só meu. Passei a colecionar partes desse mundo em cada desenho.

“Para ser um artista, você tem que cultivar as coisas que a maioria das pessoas descarta.”
– Richad Avedon

Lembro da minha primeira cor confortante na infância: laranja. Lembro da sensação ao usar uma sandália Melissa dessa cor e de me sentir feliz! Há cores felizes e poderosas que ainda me transportam para sensações preciosas: a cor e a estampa da toalha de mesa da casa da minha avó, a cor vibrante do uniforme do colégio, a cor do barro que eu moldava vasinhos no quintal de casa, os tons vivos dos beijinhos e hibiscos do jardim. Colecionei todas essas cores-experiência e vivo coletando outras por onde passo.

“A cor provoca uma vibração psíquica. A cor esconde um poder ainda desconhecido, mas real.”
– Wassily Kandinsky